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Sobre viver o apoderamento por Solange Fonseca

Aproveitando o tema do nosso evento da semana – Diálogo sobre o Empoderamento da Mulher – quero contar uma história.

Em 2007, comecei minha formação em Coaching Ontológico, uma formação internacional com etapas no México, Argentina e Espanha. Tenho muitas histórias para contar sobre este processo, mas hoje quero falar um pouco sobre o que me levou a fazer esta busca.

Eu trabalhava numa grande empresa pública, assessorava diretamente a presidência da mesma, era uma executiva, morava em Brasília num apartamento confortável, namorava, vivia minha vida de mulher independente. Parecia tudo bem.

Mas um dia, enquanto me arrumava para sair para o trabalho, me olhei no espelho e não me reconheci. Eu estava bem arrumada, com o meu terninho preto, sapato de salto alto, colar de pérolas, maquiada, mas me olhava e não me via, como se eu tivesse ficado perdida em algum lugar por trás daquela imagem refletida no espelho.

Fiquei ali por algum tempo, talvez segundos, talvez minutos. E quanto mais me olhava menos eu me via, e aquela sensação foi se transformando num sentimento profundo de solidão.

Eu vivia longe da minha família, longe das minhas raízes. Eu havia me afastado dos meus amigos mais próximos. Eu sempre quis ter filhos e com trinta anos isto havia desaparecido dos meus planos. Eu sempre gostei de casa cheia e a minha vivia vazia. Eu adorava a natureza e há meses não andava descalça na terra. Eu havia deixado de fazer várias coisas que tinham muito valor para mim, como por exemplo, visitar meus avós que viviam em diferentes estados do Brasil.

Naquele momento, eu me vi uma mulher completamente sozinha e meu corpo foi tomado por uma dor intensa, uma dor que se expandia pela minha alma e coração.

Nos dias seguintes, me dei conta de que não podia seguir daquela forma, precisava mudar. Por mais que me sentisse uma mulher determinada, empoderada, dona do meu nariz, comecei a perceber o quanto eu precisava me apoderar do meu viver, o quanto eu precisava ser mais eu mesma, ser do meu jeito, da minha forma, valorizar o meu sentir, mais do que fazer eu precisava ser.

E foi aí que decidi investir na formação em Coaching Ontológico.

Uns anos antes, eu havia tido contato com a Ontologia da Linguagem num curso de facilitação de grupos e aquele olhar sobre os seres humanos me despertou muito interesse, eu queria me aprofundar naquilo, para me conhecer melhor, para me ajudar e ajudar outras pessoas.

Esta formação me possibilitou um renascimento, foi um processo doloroso em alguns momentos e maravilhoso em outros. Uma busca que me levou a trilhar um caminho inesperado na minha vida.

Um ano depois, eu estava vivendo em outra cidade, estava em outro relacionamento, sem emprego, começando a prestar consultoria e a trabalhar como coach. Mudei totalmente.

Continuei me sentido uma mulher empoderada, pois nada do que eu havia feito, conquistado ou experimentado deixou de fazer parte de mim, fiquei com o melhor de tudo que havia vivido.

Posso dizer que reencontrei-me, reconectei-me, e percebi que mais do que me sentir empoderada como mulher eu havia me apoderado do meu viver, desta vez tudo estava em mim, me olhava e me via, me enxergava completa, repleta de alegria, de amor e em paz comigo, tudo passou a fazer mais sentido e sou muito grata por ter escolhido este caminho.

Empoderar-se e apoderar-se, talvez este seja o nosso grande desafio!

 

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