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O Coaching de Maria

por Solange Fonseca

Nestes anos de trabalho como coach, vivi algumas histórias que me tocaram o fundo da alma e do coração. Quero compartilhar uma delas com vocês, preservando nomes e informações que não poderia expor aqui no blog.

Eu estava numa formação no México, ensinando e aprendendo, e lá vivenciei muitos coaching’s, às vezes de um lado da mesa e às vezes do outro.

Esta é a história da Maria. Maria era uma mexicana bonita, na época com 30 anos. Ela começou me relatando a dificuldade que tinha em manter suas coisas organizadas no trabalho, como sua mesa e seu armário. Mas, principalmente, sua mesa de trabalho. Maria me disse que sua mesa tinha tantas coisas em cima que muitas vezes as pessoas nem conseguiam vê-la direito, como se ela estivesse atrás de uma fortaleza. E que isto era muito ruim, pois passava uma imagem de muita desorganização para seu chefe e para sua equipe e ela achava que esta desorganização prejudicava o seu rendimento.

Depois de uma hora de sessão de coach, Maria havia me contado muitas coisas sobre sua vida, sobre ela, sobre suas relações. Nesta interação, temos que estar aptos a escutar, entregues, imersos na história do outro. E, então, eu fiz uma entrega a Maria: “Maria, quando te escuto me dá a sensação de que você não é assim tão desorganizada, mas que você está, mesmo sem perceber, se escondendo atrás desta pilha de coisas sobre tua mesa. Você disse que sua mesa parecia uma fortaleza, me dá a sensação de que você realmente construiu uma fortaleza para se proteger de algo ou para que alguém não te veja, isto faz sentido para você?”

Maria me olhou com os olhos cheios de lágrimas e naquele momento percebeu o quanto estava enganada ao dizer que era desorganizada, já que todas as outras coisas em sua vida não eram assim, me disse que sua casa estava sempre arrumada, que até sua bolsa era organizada (coisa bem difícil para as mulheres). Disse-me, naquela hora, que o que eu havia entregado a ela fazia todo sentido. E me contou a história de um amor que havia vivido anos atrás no seu trabalho, uma história que já havia terminado, mas o quanto aquele amor havia mexido com ela. O rapaz trabalhava no mesmo setor, os dois eram amigos e ele estava num outro relacionamento sério. Maria se deu conta que havia em sua mesa de trabalho papéis, pastas antigas que datavam o fim do namoro e que de fato, desde aquela época, ela vinha acumulando coisas em cima da mesa, como se não quisesse ser vista por ele e por nenhum outro homem, fugindo do amor, fugindo de viver o amor.

Continuamos neste processo por mais uma hora, tratando deste medo de viver novamente o amor, olhando para dentro do coração da Maria e buscando uma interpretação diferente para esta história.

Maria saiu fortalecida desta sessão de coaching, saiu determinada a arrumar sua mesa, a se abrir para novos relacionamentos e viver novos amores. Mais importante do que tudo, Maria contou a si mesma uma história diferente, onde o que viveu com este rapaz passou a fazer parte do seu passado e ela pode olhar para isto com carinho, com ternura, conseguiu ver que ela viveu este amor e que isto foi muito melhor do que ter deixado de vivê-lo.

Terminamos com um exercício corporal, respirando, abrindo os braços e o peito para novos amores!

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